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Vigilância da gravidez

A gravidez é uma fase que traz modificações fisiológicas, corporais e emocionais e que culmina com o nascimento de uma ou mais crianças.

E porque todas as gestações são diferentes, a gravidez é um momento único na vida de uma mulher pelo que a sua vigilância e acompanhamento são fundamentais.

Porque se deve vigiar a gravidez?

Ficou demonstrado nas últimas décadas que a acessibilidade aos cuidados de saúde especializados na gravidez, desde o planeamento ao parto e ao pós-parto, diminui drasticamente a morbilidade e mortalidade materna, fetal e infantil.

Tendo em conta as alterações demográficas, a baixa natalidade, as mulheres que têm cada vez menos filhos e em idades mais avançadas, alcançar melhores resultados e ganhos em saúde durante a gravidez só pode ser possível se a fase da gravidez for enquadrada num conjunto de intervenções, que devem iniciar-se na consulta de preconceção e finalizar na consulta de puerpério.

Consulta de preconceção

Todas as mulheres em idade fértil devem ter informação relativa à importância das primeiras semanas de gravidez, de modo a poderem fazer escolhas esclarecidas acerca do seu futuro reprodutivo.

Assim, recomenda-se que quando uma mulher ou um casal manifestem vontade de avançar para uma gravidez, realizem uma avaliação específica em consulta de preconceção, antes de interromper o método contracetivo que estejam a utilizar.

Esta consulta tem como objetivo avaliar a saúde materna, fazer um rastreio analítico preconcecional, iniciar a suplementação vitamínica e transmitir recomendações importantes.

A avaliação permite orientar a mulher e o casal para o eventual risco associado à gestação. Este risco, que pode mudar ao longo da gravidez, deve ser reavaliado em todas as consultas.

O esquema de consultas, exames e intervenções deve ser adaptado ao grau de risco de cada gravidez. Assim, numa gravidez de baixo risco, as consultas têm, em média, uma periodicidade mensal. As grávidas de alto risco, dependendo das especificidades dos seus problemas, podem necessitar de consultas e intervenções mais frequentes e devem ser seguidas por equipas vocacionadas para a abordagem dos fatores de risco existentes.

Que fatores de risco devem considerar-se?

Algumas grávidas apresentam risco desde o início da gravidez, se tiverem doenças crónicas como, por exemplo:

  • hipertensão arterial
  • diabetes
  • doença cardíaca
  • epilepsia
  • doenças da tiroide

Parto prematuro anterior ou história de gravidez sem sucesso devem ter-se em consideração como fatores de risco.

Também numa gravidez normal podem ocorrer situações que a transformam em gravidez de risco, como por exemplo:

  • hipertensão gestacional
  • diabetes gestacional
  • colestase da gravidez
  • alterações do crescimento fetal e/ou do líquido amniótico

Objetivos da vigilância da gravidez

  • Avaliação do bem-estar materno-fetal e dos resultados dos exames complementares de diagnóstico;
  • Deteção precoce de situações que possam desviar a gravidez do seu curso normal;
  • Identificação de fatores de risco e promoção da educação para a saúde;
  • Preparação para o parto e para a parentalidade;
  • Informação sobre deveres e direitos parentais.

Fases da gravidez

A determinação da idade gestacional é um dos aspetos mais importantes da gravidez, sendo feita com base na data da última menstruação.

A idade pode ser revista e eventualmente corrigida com os dados da ecografia do 1.º trimestre.

Consultas pré-natais

Nas consultas pré-natais deve fazer-se o registo de informação no Boletim de Saúde da Grávida e promover-se a partilha e a aprendizagem de informações relevantes com a grávida e sua família, tais como:

  • Alimentação saudável, alimentos seguros e adequados durante a gravidez;
  • Atividade física regular, e sua importância ao longo da gravidez;
  • Saúde sexual e sexualidade durante a gravidez;
  • Sinais de alerta e situações de desconforto durante a gravidez;
  • Promover a otimização ou a mudança de hábitos de vida durante a gravidez.

Calendário das consultas pré-natais

  • 1ª consulta: idealmente até às 12 semanas
  • Até 30 semanas: consulta a cada 4 a 6 semanas 
  • Das 30 às 36 semanas: consulta a cada 2 a 3 semanas 
  • Depois das 36 semanas: consulta a cada 1 a 2 semanas

Análises clínicas

As análises clínicas pedidas nas consultas pré-natais têm como objetivo rastrear, prevenir ou tratar situações passíveis de colocar em risco a saúde materna, fetal ou perinatal.

Ecografias

As ecografias têm como objetivo confirmar a viabilidade fetal, datar corretamente a gravidez, complementar o rastreio de eventuais malformações fetais, avaliar o desenvolvimento e bem-estar fetal e estimar o peso do feto.

Quando devem fazer-se as ecografias?

  • 1º Trimestre: entre as 11 e as 13 semanas
  • 2º Trimestre: entre as 20 e as 22 semanas
  • 3º Trimestre: entre as 30 e as 32 semanas

Cursos de preparação para o parto

As consultas pré-natais e os cursos e aulas de preparação para o parto e para a parentalidade são muito importantes como forma de informar, esclarecer e preparar a grávida, o casal e a família, desenvolvendo confiança e promovendo competências para uma melhor vivência da gravidez, do parto e da transição para a parentalidade.

 

Texto

Pedro Oliveira

Ginecologia-Obstetrícia

Hospital da Luz Guimarães

 

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