António Pereira Neves , médico de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital da Luz, concluiu o seu doutoramento em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). A prova pública decorreu no passado dia 5 de março e a tese – com o título “Clinical and Imagiological Predictors of Prognosis in Extensive Aortoiliac Disease” – foi aprovada pelo júri por unanimidade. Estima-se que a doença arterial periférica afete até 10% da população portuguesa com mais de 60 anos. Caracteriza-se pelo estreitamento ou obstrução progressiva das artérias, mais frequentemente dos membros inferiores, tendo como principal causa a aterosclerose e sendo que esta é responsável pela maioria dos eventos cardíacos (enfarte agudo do miocárdio) e cerebrovasculares (AVC/acidente vascular cerebral) devido aos estreitamentos que causa nas artérias do coração (coronárias) e cérebro, respetivamente. Comumente provoca dores durante a marcha, arrefecimento das pernas, alterações na coloração da pele, e, em fases mais avançadas, dor em repouso, aparecimento de feridas nos tornozelos ou nos dedos dos pés e mesmo gangrena, com risco de amputação e da própria vida. No trabalho de investigação realizado para esta tese de doutoramento, António Pereira Neves centrou-se na identificação de marcadores clínicos, hematológicos e imagiológicos capazes de prever a evolução da doença aortoilíaca extensa, uma forma grave de doença arterial periférica e que tem habitualmente elevada morbilidade e risco de amputação. O objetivo principal desta investigação é contribuir para uma melhor seleção dos doentes candidatos a revascularização (procedimento cirúrgico para restabelecer a circulação do sangue ), permitindo antecipar resultados a longo prazo, otimizar a preparação pré-operatória e reforçar a vigilância peri-operatória. Desta forma, torna-se possível uma abordagem mais personalizada e eficiente, com impacto direto na melhoria dos resultados clínicos e na utilização de recursos em cirurgia vascular. A tese teve como orientadores João Rocha Neves e José Paulo Andrade, ambos da FMUP. O júri das provas integrou especialistas nacionais e internacionais de reconhecido mérito na especialidade. Na foto em cima, o novo doutor e o júri: José Paulo Andrade, Mario Giovanni Gerardo D’Oria (Universidade de Trieste, Itália), Mavilde Rodrigues Longarito (FMUP), José Barbosa (FMUP), António Pereira Neves, Marina Dias Neto (FMUP) e João Rocha Neves. Integraram também o júri, tendo participado por videoconferência, Piotr Myrcha (Faculty of Medicine of Warsaw, Polónia) e Augusto Ministro (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa).