Filipa Matos Semedo , médica imunoalergologista do Hospital da Luz, concluiu o doutoramento em Medicina no passado dia 23 de janeiro, na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI), tendo obtido a aprovação unânime do júri e com distinção. A sua tese – intitulada “House Dust Mite Molecular Sensitisation Profile and Allergic Respiratory Disease Expression ( Perfil de sensibilização molecular aos ácaros do pó doméstico e expressão da doença respiratória alérgica )” – insere-se no campo da alergologia molecular, uma área inovadora que permite uma caracterização mais precisa da sensibilização alérgica e uma melhor avaliação clínica dos doentes com doenças respiratórias alérgicas. O trabalho de investigação centrou-se na relevância clínica da sensibilização molecular aos ácaros, considerados os mais importantes desencadeantes da asma alérgica e da rinite alérgica, doenças respiratórias que se estima afetarem entre 65 e 130 milhões de pessoas em todo o mundo. A investigação integrou uma revisão sistemática e meta-análise, envolvendo mais de 23 mil doentes, estudos clínicos com avaliação funcional da resposta alérgica e um estudo longitudinal com 20 anos de seguimento, demonstrando que diferentes perfis de sensibilização molecular se associam à gravidade da doença e evoluem ao longo da vida, acompanhando a evolução clínica dos doentes. Entre as principais conclusões do trabalho, destaca-se que o diagnóstico molecular pode ter utilidade não apenas no diagnóstico, mas também no prognóstico e na orientação terapêutica. Ficou assim reforçado o papel da medicina de precisão no tratamento das doenças respiratórias alérgicas. A tese teve como orientador Filipe Fernando da Cruz Inácio (Universidade de Évora) e como coorientador Luís Taborda Barata (Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior). Na foto em cima, a nova doutora e os membros do júri: à esquerda, Luís Taborda Barata e Filipa Matos Semedo e, à direita, Miguel Castelo-Branco Sousa (UBI, presidente do júri) e José Augusto Simões (UBI). Na tela, Ana Todo-Bom (Faculdade de Medicina de Coimbra), Fernando Pineda La Losa (Inmunotek S.L.) e Olga Luengo Sanchez (Universita Autònoma de Barcelona), que participaram por videoconferência.