Inês Frade, enfermeira do Hospital da Luz Lisboa, doutorou-se em Enfermagem, no passado dia 28 de janeiro, pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. A sua tese, que tem por título “Experiência do adulto que passou por um período de afasia de expressão” , mereceu a aprovação unânime do júri, com distinção. O objetivo da investigação realizada ao longo do doutoramento foi o de aumentar o conhecimento sobre “que as pessoas relatam sobre a sua experiência de terem vivenciado afasia de expressão”. A afasia de expressão é um distúrbio da linguagem, causado na maioria das vezes por acidentes vasculares cerebrais (AVC) , que compromete a comunicação verbal, perturbando a expressão oral, escrita e a nomeação de objetos. Caracteriza-se pela grande dificuldade em produzir fala e escrever, embora a compreensão do que é dito esteja por norma preservada. Provoca, por isso, alterações profundas a nível pessoal, familiar e profissional e distúrbios emocionais muitas vezes graves, entre outras profundas mudanças e impactos. Inês Frade, que trabalha na unidade de cuidados pós-anestésicos do Bloco Operatório, explica que adotou como metodologia “a investigação narrativa, segundo a perspetiva de Clandinin e Connelly, para desmontar a complexidade e os sentidos que os participantes atribuem às suas vivências”. Como participantes, foram incluídas três pessoas que tinham sofrido afasia de expressão e já se conseguiam expressar aquando desta investigação. Entre as principais conclusões, a enfermeira destaca: “Verificou-se que a afasia de expressão impacta profundamente a pessoa de forma holística e única, as relações, o eu e a família, gerando adversidades e desafios singulares bastante complexos”. “Emergiram também recursos internos e apoios externos mobilizados ao longo do percurso, bem como obstáculos à reinvenção do próprio ser. Além das perdas, destacou-se a antecipação e reconfiguração de projetos de vida”. “Compreender a afasia de expressão segundo a perspetiva pessoal é fundamental para o avanço do conhecimento e da prática de enfermagem. Perspetiva-se que os insights alcançados contribuam para uma abordagem mais centrada na pessoa, que favoreça a recuperação, a reestruturação, a reconstrução e o bem-estar”. Vanda Marques Pinto, da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa (ESEL), foi uma das orientadoras da tese, juntamento com as professoras Luísa D’ Espiney e Cristina Baixinho. Maria Luísa Torres Queiroz de Barros (Faculdade de Psicologia da UL) presidiu ao júri das provas. Na foto em cima, a nova doutora e o júri das provas de doutoramento: Afonso Miguel Cavaco (Faculdade de Farmácia da UL), Sofia Pereira Coutinho Reimão (Faculdade de Medicina da UL), Patrícia Pontífice Sousa (Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa), Inês Frade, Vanda Marques Pinto, Maria Luísa Torres Queiroz de Barros, Maria Leonor Xavier (Faculdade de Letras da UL). Fez também parte do júri Andrea Marques (Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra) que arguiu a prova de doutoramento via online.