O primeiro artigo científico do Centro de Medicina Hiperbárica do Hospital da Luz Lisboa , liderado por Diogo Alpuim Costa , aborda o efeito da oxigenoterapia hiperbárica na resistência à insulina, fator relevante para a diabetes tipo 2 . A diabetes mellitus é uma das doenças mais prevalentes em sociedades ocidentais modernas como Portugal e a Medicina Hiperbárica tem vindo a mostrar eficácia no tratamento de feridas difíceis de cicatrizar em doentes diabéticos, por meio de sessões em câmara hiperbárica. A perspetiva do autor constitui uma contribuição adicional relevante e pode promover o desenvolvimento de pesquisas clínicas inovadoras neste campo, considerando a escassez de estudos e publicações científicas que abordam essa abordagem. Nesse âmbito, Diogo Alpuim Costa e os outros coautores realizaram uma revisão exaustiva da literatura e selecionaram, dentre 230 publicações, 17 estudos para avaliação final. Esses estudos indicaram que o oxigénio hiperbárico pode contribuir para um melhor controlo da glicemia em jejum, diminuir a resistência à insulina e reduzir as citocinas pró-inflamatórias relacionadas à resistência à insulina. Embora estes resultados sejam promissores, os autores salientam que ainda existem lacunas importantes no conhecimento científico, nomeadamente quanto à duração do efeito deste tratamento complementar e aos principais mecanismos moleculares envolvidos. O especialista do Hospital da Luz ressalta que, embora o oxigénio hiperbárico apresente potencial como tratamento complementar da resistência à insulina, são indispensáveis ensaios clínicos aleatorizados mais rigorosos para validar sua eficácia e segurança neste contexto . O Centro de Medicina Hiperbárica do Hospital da Luz Lisboa iniciou a sua atividade em 2024, contando com uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros e outros profissionais, todos especializados e experientes em suas respetivas áreas de atuação. Os tratamentos de oxigenoterapia hiperbárica ocorrem numa câmara com capacidade para 16 doentes simulando mergulhos até 15 metros de profundidade. Esse processo permite atingir até cinco vezes mais oxigénio dissolvido no sangue em comparação à administração convencional, conforme o protocolo terapêutico adotado. A oxigenoterapia hiperbárica é usada para tratar complicações ou doenças causadas por baixa oxigenação, como nos exemplos a seguir : Feridas que não cicatrizam facilmente, sobretudo quando infetadas (incluindo o pé diabético); Procedimentos cirúrgicos envolvendo retalhos ou implantes de tecido sem sucesso; Em Oncologia, nomeadamente em complicações tardias da radioterapia (ao nível da bexiga, reto, mandíbula, entre outras localizações); E também na traumatologia hospitalar, na neurologia, na endocrinologia, entre outras áreas médicas. Os tratamentos feitos com recurso a esta tecnologia permitem ainda reduzir consideravelmente o tempo de recuperação em meses – o que é especialmente relevante quando se trata de lesões desportivas em atletas de alta competição, por exemplo -, sendo um tratamento que não exige grande esforço ao doente, apenas alguma disponibilidade de tempo.