Os cortes de eletricidade, como os provocados pelo ‘apagão’ em Portugal e Espanha, em 2025, e agora pelas tempestades que estamos a viver, são particularmente graves para os doentes que dependem de terapias feitas em casa com aparelhos de ventilação não-invasiva , sendo urgente garantir bases de dados atualizadas e adotar protocolos sobre formas de procedimento e coordenação entre instituições de saúde e fornecedores de equipamentos. Este foi um dos muitos temas abordados no LUng’Z – Congresso de Pneumologia do Hospital da Luz, que reuniu especialistas de todo o país, a 30 e 31 de janeiro, para analisarem os estudos, orientações e acontecimentos mais importantes no último ano nesta especialidade e com impacto para os doentes. As consequências do ‘apagão’ motivaram um inquérito feito por profissionais espanhóis e portugueses a 60 instituições dos dois países (intitulado “Preparedness for Blackouts in Iberian Peninsula Patients Using Home Respiratory Therapies”) , que pretenderam saber o que se passou e o que há a melhorar. Conclusões: “O apagão expôs lacunas críticas na preparação para emergências de pacientes dependentes de terapias respiratórias domiciliárias”, “muitos centros não conseguiram contactar diretamente os pacientes dependentes e de alto risco”, tendo então havido uma corrida às urgências. As doenças respiratórias crónicas são “um gravíssimo problema de saúde publica nacional e internacional” (4ª causa de morte em Portugal e 6ª causa de morte na Europa) e “as associações de doentes são atores e parceiros fundamentais, capazes de contribuir para soluções”, afirmou por seu turno Paula Duarte, vice-presidente da Respira (Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas), que fez uma apresentação da história e da atividade desta IPSS. “É obrigação nossa, dos médicos, apoiar as associações de doentes como a Respira, apresentando-a aos nossos doentes também”, defendeu, a propósito, Sofia Tello Furtado , diretora de Pneumologia do Hospital da Luz Lisboa e presidente deste congresso. Nesta 3ª edição do LUng’Z do Hospital da Luz: As comunicações foram realizadas por especialistas da Rede Hospital da Luz e a moderação das sessões esteve sempre a cargo de médicos de outras instituições. O programa teve um leque de temas muito abrangente, incidindo naturalmente nas doenças com maior impacto na população: cancro do pulmão, asma e DPOC, bronquiectasias (doenças crónicas, heterogéneas, que provocam dilatação progressiva e irreversível das vias áreas). Houve também tempo para falar da ‘novidade’ dos tratamentos de medicina hiperbárica, das terapêuticas em ventilação não-invasiva, da reabilitação respiratória e medicina desportiva. Destaque ainda para a atualização sobre as tendências de consumo do tabaco e o seu impacto nas doenças respiratórias, feita com base nos mais recentes relatórios nacionais e internacionais: a prevalência global (países da OCDE) é de 14,8% (14,2% em Portugal), houve uma redução média de 26% no número de fumadores diários, mas um aumento de 6% do chamado vaping (que teve “um aumento preocupante” nos adolescentes e é mesmo identificado como um novo desafio de saúde pública). Esta nova forma de consumo de tabaco foi, de resto, o tema do trabalho que acabou por vencer o concurso de posters científicos realizado em simultâneo com o congresso: “Novos hábitos, novos diagnósticos: pneumonia eosinofílica aguda relacionada com o tabaco aquecido”, da autoria de Maria Olívia Ramos . ‘Um dos grandes eventos nacionais da pneumologia’ “Temos um passado sólido, um presente de excelência e um futuro promissor. Nunca tivemos tanto conhecimento, ferramentas diagnósticas e opções terapêuticos. Mas nunca devemos esquecer que a essência da pneumologia é o foco nas pessoas. Tratar não é só manter vivo, é também cuidar que a vida seja vivida com qualidade”. As mensagens foram deixadas por Jorge Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), na conferência de encerramento deste congresso do Hospital da Luz, uma iniciativa que fez questão de elogiar: “Este é já seguramente um dos grandes eventos nacionais na área da pneumologia, pela qualidade científica e participação. Portanto, é com grande entusiasmo que a SPP está associada a ele”. “o LUng’z é o resultado do nosso compromisso com a qualidade assistencial e com a formação. Profissionais que investigam e investem na formação prestam melhores cuidados”, salientou, por seu turno, Sofia Tello Furtado. “Queremos uma pneumologia aberta e forte, com integração e trabalho contínuo com outras especialidades, por um lado, e também com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia e com organizações da sociedade civil, de doentes”, disse ainda. O Hospital da Luz agradece a todos os participantes, patrocinadores e formadores deste congresso. O LUNg’Z volta em 2027! Na foto em baixo, elementos da comissão organizadora e da comissão científica, que foram constituídas por Ana Alfaiate , Ana Cristina Lutas, António Gerardo , Beatriz Maio , Bruno Von Amann , Cristina Braço Forte , Jorge Montês , Margarida Felizardo , Mónica Grafino , Sofia Tello Furtado, Susana Clemente , Olívia Laureano e Vera Martins .