A equipa de neurologia do Hospital da Luz Lisboa foi a primeira em Portugal a administrar aos seus doentes o único fármaco atualmente disponível para tratamento modificador da doença de Alzheimer. O medicamento foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) em 2024 e mais recentemente pelo INFARMED, o organismo nacional de controlo de medicamentos. A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa incurável, em que a morte progressiva de neurónios cerebrais leva à perda progressiva das funções mais nobres do cérebro, como a memória, a linguagem e a orientação. É a principal causa de demência no Mundo e tem um enorme impacto nos doentes e nas suas famílias, afetando mais de 200 mil pessoas em Portugal. “Parte da morte de neurónios deve-se à deposição de proteínas tóxicas nos neurónios cerebrais e uma destas é a beta-amiloide. Os medicamentos existentes estimulam os neurónios saudáveis do cérebro, mas não impedem a morte celular”, explica Sofia Nunes de Oliveira, a neurologista responsável por esta área na equipa do Hospital da Luz Lisboa. Segundo a especialista, “este novo medicamento é um anticorpo monoclonal anti-amiloide, que procura remover e reduzir a carga de proteínas tóxicas no cérebro dos doentes e que demonstrou, tanto em ensaios clínicos como em milhares de doentes já tratados noutros países, melhorar a evolução desta doença”. E conclui: “Não é uma cura, mas uma enorme ajuda e um primeiro passo importante” no tratamento da progressão do Alzheimer. Estes novos medicamentos, alerta ainda, têm efeitos secundários, mas estes “podem ser minimizados com uma seleção criteriosa de doentes e um seguimento próximo de cada caso”. Os primeiros doentes começaram esta semana a fazer o tratamento no Hospital da Luz Lisboa. Mas antes fizeram um rigoroso percurso de avaliação para confirmar a sua elegibilidade para este tratamento, com a realização de exames específicos que demonstrem a presença de amiloide e a ausência de contraindicações. “Quanto mais cedo o diagnóstico maior será o benefício. Doentes com demência moderada ou avançada já não poderão ser enquadrados neste tipo de tratamentos” , diz ainda Sofia Nunes de Oliveira. Para saber mais sobre a Doença de Alzheimer e a equipa de neurologia do Hospital da Luz , consulte hospitaldaluz.pt