7 de março de 2019 Embora tenha semelhanças com a doença de Crohn, a colite ulcerosa restringe-se à região terminal do tubo digestivo – o cólon e o reto. Desta forma, afeta apenas a camada mais interna da parede (mucosa), com uma inflamação difusa e contínua, de gravidade variável. A gravidade varia desde um processo ligeiro até à presença de abscessos e ulcerações associados a alterações importantes da morfologia das regiões afetadas. Nas pessoas com colite ulcerosa alternam-se períodos de manifestação da doença , com períodos em que não estão presentes quaisquer sintomas.Não é possível prever a ocorrência de nenhuma destas fases, nem a sua duração, que pode ser de meses ou anos. Quais são as causas da colite ulcerosa? A causa da colite ulcerosa não é conhecida . São consideradas como possíveis causas: Alterações do sistema imunitário; Alterações da vascularização; Causas infeciosas; Causas alimentares; Interações entre as causas referidas. À semelhança do que ocorre na doença de Crohn, na colite ulcerosa existe uma reação incorreta e exagerada a compostos de origem alimentar , ou outros, presentes no tubo digestivo e que, embora inócuos, não são reconhecidos como tal. Quem pode ser atingido pela colite ulcerosa? A colite ulcerosa atinge indivíduos de qualquer idade. Em regra, é diagnosticada pela 1ª vez nos adultos jovens , embora também o possa ser já em idades avançadas . A sua incidência é ligeiramente superior nas mulheres e nas pessoas que vivem em zonas urbanas , sendo ainda provável que exista algum determinismo genético na sua ocorrência. Quais são os sintomas da colite ulcerosa? Os sintomas da colite ulcerosa incluem, normalmente: Episódios frequentes de diarreia com sangue, pus e/ou muco; Dor abdominal simultânea à defecação; Febre; Perda de peso. Estes sintomas podem ser intensos e de aparecimento súbito ou manifestar-se progressivamente . Na colite ulcerosa podem também estar presentes sintomas extraintestinais, como, p.e.: Artrites; Lesões da pele; Manifestações oculares; Hepatite; Alterações biliares; Anemia. Nas crianças podem ser evidentes atrasos do crescimento. Contrariamente à doença de Crohn, na colite ulcerosa as obstruções intestinais, fístulas e problemas perianais são raros. Como é realizado o diagnóstico da colite ulcerosa? O diagnóstico da colite ulcerosa é feito com base em: História clínica; Sintomas presentes; Exame do doente; Exames adicionais considerados necessários. Entre os exames adicionais poderá ser aconselhada, p.e., a realização de: Análises de sangue : podem sugerir a existência de uma inflamação; Análises de fezes : podem revelar perdas de sangue; Radiografias com contraste : para localizar zonas de inflamação e ajudar a determinar a sua gravidade; Retossigmoidoscopia ou colonoscopia : para visualizar o interior do cólon, verificar a extensão e gravidade da doença, detetar complicações possíveis e, eventualmente, para obter amostras para confirmação do diagnóstico. Os exames por tomografia computorizada e ressonância magnética , também podem ser aconselhados para o diagnóstico da colite ulcerosa. Qual é o tratamento para a colite ulcerosa? Inicialmente, a abordagem de tratamento da colite ulcerosa é realizada com medicamentos administrados, em regra, a longo prazo. Esses medicamentos têm como finalidade tratar os sintomas, manter e prolongar os períodos de remissão , controlando, simultaneamente, os efeitos secundários possíveis desses medicamentos. No entanto, estima-se que cerca de 50% dos doentes com colite ulcerosa necessitem, em alguma fase da doença, de um tratamento cirúrgico . O tratamento curativo da colite ulcerosa consiste na ressecção cirúrgica da totalidade do cólon e do reto , para a qual existem diversos procedimentos possíveis. A escolha depende das especificidades de cada caso. Entre os doentes submetidos com mais frequência ao tratamento cirúrgico , incluem-se os casos em que: Não há resposta ao tratamento farmacológico; Existem complicações associadas à doença, como hemorragias graves, perfurações da parede intestinal e infeções; Há necessidade de eliminar consequências graves sobre o crescimento nos indivíduos não adultos; Há necessidade de diminuir o risco de desenvolvimento de cancro. Os gastrenterologistas e os cirurgiões gerais são os médicos que o podem ajudar no tratamento desta doença. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.