11 de fevereiro de 2020 O que é a dermatite atópica ou eczema atópico? A dermatite atópica é uma doença inflamatória cutânea, caracterizada por secura , descamação da pele e comichão . A sua localização varia com a idade: no lactente surge no rosto, tronco e abdómen; na primeira infância e adolescência surge nas pregas dos braços, pernas (atrás dos joelhos) bem como nas pálpebras e região bucal; no adulto pode ser generalizada, na nuca ou por exemplo ter predomínio nas mãos. A dermatite atópica é mais comum em crianças e tem habitualmente bom prognóstico, com melhoria até à adolescência. Quando persiste até à idade adulta ou surge pela primeira vez nesta faixa etária tende a ser mais grave. Qual a causa da dermatite atópica? A causa da dermatite atópica é multifatorial, ou seja, resulta da interação de vários fatores , quer do indivíduo quer do ambiente. Relativamente aos fatores individuais destacam-se as alterações genéticas, habitualmente em doentes com dermatite atópica mais grave, e tendência para ter alergia alimentar e respiratória. Dos fatores ambientais destacam-se o stress, a poluição e a tendência para ter infeções por tipos específicos de bactérias que podem agravar a dermatite atópica. Como é feito o diagnóstico de dermatite atópica? O diagnóstico desta doença é essencialmente clínico . Analisando a história clínica e observando as lesões é possível, na maioria das vezes, fazer o diagnóstico. Por vezes é necessário recorrer a biopsia cutânea, quando as lesões não apresentam melhoria com o tratamento ou quando há dúvidas no diagnóstico. Os exames complementares alergológicos , como os testes cutâneos ou testes sanguíneos de alergias ajudam a perceber se o doente com dermatite atópica também tem alergia alimentar ou respiratória, ajudando assim a orientar o tratamento . Como se trata a dermatite atópica? A primeira linha de tratamento é a utilização de cremes hidratantes . Depois poderá ser necessário utilizar cremes ou pomadas que diminuem a inflamação da pele (corticosteroides e imunomoduladores tópicos). Nos casos de agudização das queixas pode ser preciso fazer corticoides por via oral (comprimidos) por um curto período de tempo. Em casos graves podem ser utilizados fármacos imunossupressores (comprimidos que diminuem de uma forma geral a inflamação no nosso organismo). Em alguns casos, pode haver mesmo indicação para medicamentos chamados de “biológicos” de prescrição apenas hospitalar. Os autores deste texto são os seguintes médicos imunoalergologistas da rede Hospital da Luz: Luís Miguel Borrego, Ana Morais Mendes, Ana Reis Ferreira, Andreia Ferrão, Carlos Braga, Cristina Lopes, Diana Pereira da Silva, Filipa Semedo, Isabel Costa Silva, João Gaspar Marques, Pedro Carreiro Martins, Marta Salgado, Nuno Sousa, Rosa Anita Fernandes, Susana Piedade Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.