15 de outubro de 2026 Autora : Noémia Nunes (ginecologia-obstetrícia) O descolamento da placenta ( abruptio placentae ) é uma complicação da gravidez: A placenta separa-se total ou parcialmente da parede do útero durante a gravidez; Pode comprometer o fornecimento de oxigénio e nutrientes ao bebé; Os sintomas da mãe variam com a gravidade do descolamento; O tratamento depende da fase da gravidez e da gravidade do descolamento e tem como objetivo proteger a saúde do bebé e da mãe. O que é a placenta e o descolamento da placenta? A placenta é um órgão temporário que se desenvolve apenas durante a gravidez . Forma-se no interior do útero, fixa-se à sua parede e liga-se ao bebé através do cordão umbilical. É através da placenta e do cordão umbilical que são fornecidos oxigénio e nutrientes e removidos resíduos do metabolismo do bebé. A placenta também tem funções de proteção fetal e de produção de hormonas. Em condições normais, a placenta permanece firmemente ligada à parede do útero durante toda a gravidez e só se desprende depois do nascimento do bebé. Depois da expulsão do bebé, o útero contrai-se intensamente e provoca a separação da placenta da parede uterina, que então é expulsa através da vagina durante a chamada terceira fase do trabalho de parto, geralmente nos primeiros 30 minutos após o nascimento. Uma das complicações que pode ocorrer durante a gravidez é o descolamento prematuro da placenta, ou seja, a separação total ou parcial da placenta da parede do útero. O descolamento da placenta ocorre mais frequentemente no terceiro trimestre da gravidez, especialmente nas últimas semanas antes do parto. No entanto, pode surgir a partir das 20 semanas de gestação. O descolamento da placenta pode ser grave porque pode comprometer o fornecimento de oxigénio e nutrientes ao bebé e provocar uma hemorragia grave na mãe . Ao descolar-se da parede do útero, a placenta rompe os vasos sanguíneos maternos que asseguram a circulação de sangue entre a mãe e a placenta, com saída de sangue para o interior do útero e/ou para o exterior através da vagina. Qual é a causa e quais são as grávidas com maior risco de descolamento da placenta? Nem sempre é possível identificar uma causa exata para um descolamento da placenta. No entanto, sabe-se que algumas doenças e comportamentos aumentam o risco da sua ocorrência . Entre estes estão, por exemplo: Hipertensão arterial crónica; Hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia; História de descolamento da placenta em gravidez anterior; Tabagismo e consumo de drogas ilícitas; Traumatismo abdominal; Rotura prematura das membranas; Gravidez múltipla; Gravidez em idade materna avançada; Algumas doenças que afetam os vasos sanguíneos ou a coagulação. Quais são os sintomas de descolamento da placenta? Os sintomas podem surgir subitamente e os mais frequentes são : Hemorragia vaginal; Dor abdominal persistente; Dor lombar; Contrações uterinas; Sensibilidade ou sensação de endurecimento do útero; Diminuição dos movimentos fetais. Estes sintomas podem não estar todos presentes e a sua gravidade varia com a extensão do descolamento da placenta. Além disso, podem também ocorrer noutras complicações da gravidez ou, alguns, ter outra origem. Mesmo num descolamento importante pode não ocorrer uma hemorragia vaginal, porque o sangue pode ficar retido entre a placenta e a parede do útero. Como é feito o diagnóstico e qual é o tratamento de um descolamento da placenta? O diagnóstico baseia-se nos sintomas da grávida e nos resultados de exames que avaliam o bem-estar fetal , como ecografia e cardiotocografia (CTG). A ecografia pode ajudar no diagnóstico e permite avaliar o estado da placenta e o bem-estar fetal. Por vezes também são necessárias algumas análises que permitem avaliar a extensão e consequências da hemorragia e identificar problemas de coagulação. A placenta não pode ser recolocada na parede do útero. Por isso, o tratamento tem como objetivo proteger a saúde e o bem-estar do bebé e da mãe e decidir qual é a altura mais segura para o parto . As intervenções a realizar dependem assim da gravidade do descolamento, da idade gestacional e do estado clínico da mãe e do bebé. Se o descolamento for pouco importante e a gravidez estiver longe do termo, poderá ser necessário internamento para vigilância clínica e fetal ou acompanhamento obstétrico mais frequente. Nos descolamentos mais graves, com hemorragia importante ou quando existe sofrimento fetal, a melhor opção pode ser realizar o parto urgente, muitas vezes por cesariana. Lembre-se que… A separação parcial ou total da placenta da parede do útero antes do nascimento do bebé é uma complicação obstétrica potencialmente grave que requer avaliação médica urgente. Por isso, uma grávida deve contactar de imediato o seu médico ou dirigir-se a uma urgência obstétrica hospitalar se tiver : Hemorragia vaginal; Dor abdominal ou lombar intensa ou persistente; Contrações frequentes e dolorosas, sensibilidade ou sensação de endurecimento do útero; Diminuição dos movimentos do bebé. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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