02 de março de 2023 Autor : José Pedro Marques A lesão mais frequente na prática desportiva é a entorse do tornozelo. Em algumas modalidades desportivas chega a representar quase metade das lesões sofridas; É o caso, por exemplo, do basquetebol e do voleibol. Uma entorse é uma lesão dos ligamentos de uma articulação. No caso do tornozelo, a entorse afeta mais frequentemente os ligamentos da face lateral (ou externa) da articulação. Diagnóstico da entorse do tornozelo O diagnóstico de uma entorse do tornozelo é clínico, ou seja, baseia-se: Na história relatada espontaneamente pela pessoa afetada e nas suas respostas às questões do médico; Em resultados sugestivos de entorse obtidos no exame objetivo realizado pelo médico. É muito importante fazer uma avaliação ou re-avaliação clínica no quinto ou sexto dia após a lesão . Nesta altura é possível determinar com mais segurança o grau da lesão (grau 1 - ligeira, 2 - moderada, grau 3 - grave) e a sua gravidade, o que está relacionado com as intervenções necessárias e com o tempo de recuperação. Em casos específicos, podem ser necessários exames de imagem. A história Habitualmente quem sofreu uma entorse do tornozelo refere: Um mecanismo de lesão típico; Dor localizada na região antero-lateral do tornozelo; Em alguns casos, incapacidade para a marcha. O exame objetivo No exame objetivo é habitual identificar: Edema e hematoma no local da lesão; Dor à palpação do trajeto dos ligamentos atingidos; Dor nos movimentos passivos da articulação. Exames de imagem Em muitos casos não são necessários exames de imagem para fazer o diagnóstico de uma entorse do tornozelo. No entanto, em alguns casos, o médico pode pedir exames de imagem. A radiografia, conhecida vulgarmente como raio-X, tem um papel importante na fase aguda, para despistar eventuais fraturas associadas. Nas fases subaguda ou crónica das entorses cuja evolução clínica não corra favoravelmente, pode estar indicada a realização de uma ecografia ou uma ressonância magnética para excluir a possibilidade de lesões que tenham passado despercebidas na avaliação inicial. Tratamento Na fase aguda, as intervenções têm como objetivo reduzir a dor e inflamação . Para isso, é importante: Proteger a articulação; Otimizar a carga, questão muito relevante pois ao contrário do que antigamente se preconizava, sabe-se agora que a imobilização deve ser mantida pelo menor tempo possível; Aplicar gelo, comprimir e manter a articulação mais elevada do que o resto do corpo. Quando há dor, pode estar indicada analgesia com medicamentos seguindo as indicações do médico. Passada a fase aguda, a aposta deve ser nas opções terapêuticas cuja eficácia é conhecida . Programas de reabilitação com enfoque no fortalecimento dos músculos que estabilizam a articulação; Treino do equilíbrio e coordenação; Introdução progressiva de exercícios que promovam a funcionalidade normal da articulação. Além deste treino neuromuscular, as medidas de suporte funcional, como as ortóteses do tornozelo e as imobilizações com tape, que permitem o movimento protegendo a lesão, podem ter um papel importante nos primeiros meses após uma entorse do tornozelo. Prevenir novas entorses do tornozelo É sabido que as pessoas que sofrem uma entorse do tornozelo têm uma maior probabilidade de repetir a lesão nos 6-12 meses seguintes. Este período parece ser a janela temporal durante a qual os ligamentos que sofreram a lesão estão de alguma forma fragilizados; Também durante este período, as ortóteses, as imobilizações com tape e o treino neuromuscular são opções eficazes para prevenir a repetição de entorses do tornozelo. Se faz desporto, mesmo que de forma recreativa, e sofreu uma entorse do tornozelo, não deixe de se aconselhar com o seu médico para que a sua recuperação decorra da melhor forma. Conheça a equipa clínica de medicina desportiva da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.