A episiotomia é um procedimento cirúrgico que pode ser realizado durante um parto vaginal. Envolve a realização de um corte (incisão) no períneo (região entre a abertura da vagina e o ânus) e o seu objetivo é ampliar a abertura da vagina, facilitando a saída do bebé. A episiotomia não é um procedimento de rotina realizado em qualquer parto vaginal. Só deve ser realizada em casos selecionados, ou seja, quando é absolutamente necessária. Por isso, a decisão de a fazer ou não só pode ser tomada durante o parto, tendo em conta as condições do momento. Há dois tipos de incisões de episiotomia, a mediana e a médio-lateral. A episiotomia médio-lateral, em que a linha de incisão faz um ângulo relativamente à linha média , é a que se realiza mais frequentemente na Europa, incluindo Portugal. Tem um menor risco de laceração do esfíncter anal e do reto comparativamente à episiotomia mediana. Tem também associada uma redução de cerca de 50% no risco de lesão do esfíncter anal/reto comparativamente à opção de não realização de episiotomia (6% versus 13%). Depois do parto a episiotomia é suturada com pontos que serão eliminados naturalmente. Indicações para uma episiotomia A episiotomia poderá estar indicada em situações de: Sofrimento fetal, demonstrado por uma cardiotocografia (CTG) patológica, com a finalidade de abreviar o parto; Canal vaginal estreito e necessidade de parto instrumentado, em que a episiotomia médio-lateral reduz de 13% para 6% o risco de lesão do esfíncter e/ou reto em partos instrumentados; Algumas situações de distocia de ombros; Rigidez perineal em mulheres previamente sujeitas a intervenções da vulva; Sinais de iminência de uma laceração perineal grave (grau 3 e 4) ou quando esta já se está a iniciar. Complicações associadas a uma episiotomia As complicações precoces mais comuns da episiotomia são a sua extensão ao esfíncter anal e reto (que é mais frequente na episiotomia mediana), maior perda de sangue, infeção e a dor. Podem também ocorrer hematomas, mas estes são é uma complicação rara. As complicações tardias mais frequentes são a dispareunia (dor durante o ato sexual), maior risco de laceração num próximo parto e receio de fazer nova episiotomia. Todas estas complicações podem acontecer no contexto de uma laceração natural, especialmente no caso das lacerações perineais graves. Este conteúdo foi preparado pela equipa de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.