8 de janeiro de 2024 Autor : Maia Gonçalves A escoliose idiopática é um desvio rotacional da coluna vertebral que acontece da pré-adolescência e adolescência. O nome idiopático significa que não existe causa diagnosticada para esse desvio . Nos jovens, a escoliose idiopática: Pode estar presente em 2%-4% das crianças entre os 10-16 anos; Afeta igualmente rapazes e raparigas; A probabilidade de evoluir favoravelmente sem necessidade de tratamento é 10 vezes maior nas raparigas. Sinais e sintomas de escoliose Uma escoliose pouco importante pode não dar origem a qualquer sintoma e ser detetada apenas numa consulta médica de rotina. No entanto, alguns sinais podem levantar suspeita de escoliose : Um dos ombros mais elevado do que o outro; Uma prega pele mais vincada de um dos lados da cintura; Assimetria dos lados direito e esquerdo da parede torácica anterior e/ou posterior, nomeadamente uma omoplata mais saliente do que a outra; Perceção de que as pernas têm um comprimento diferente; Dificuldade em que algumas peças de roupa assentem bem, por exemplo camisas, camisolas ou casacos. A maioria das curvaturas de escoliose é convexa para a direta na região torácica e para a esquerda na região lombar, ficando, assim, o ombro direito mais elevado que o esquerdo. A escoliose é uma rotação da coluna pelo que as costas apresentam uma saliência à direita ou à esquerda. Os sintomas e queixas referidos pelas pessoas com escoliose podem incluir: Dores nas costas, especialmente em áreas de tensão; Dor / incómodo na região lombar depois de estar muito tempo na mesma posição, por exemplo sentado ou em pé. A escoliose mais grave pode causar queixas respiratórias, mas quase sempre o diagnóstico é feito antes disso acontecer. Diagnóstico O diagnóstico de escoliose baseia-se: Nas queixas e sinais presentes; Num exame físico particularmente dedicado à avaliação da coluna vertebral e do seu desvio. Por exemplo, na escoliose, o desvio é mais pronunciado quando os doentes fletem o tronco para a frente (teste de Adams); Exames de imagem, geralmente um raio-X (radiografia) extralongo, com incidências antero-posterior e lateral. O grau de escoliose é calculado a partir dos exames de imagem, medindo um ângulo formado pela intersecção de linhas que são desenhadas tendo em conta posições específicas de vértebras envolvidas na curvatura. Este ângulo chama-se ângulo de Cobb e quando é maior que 10 graus considera-se que há escoliose. Tratamento da escoliose Quando a escoliose é ligeira e o crescimento já terminou pode não ser necessário qualquer tratamento . Mesmo quando o crescimento ainda não terminou, a opção pode ser manter apenas vigilância para verificar se não há agravamento e intervir apenas se este acontecer. Noutros casos, o tratamento depende de vários fatores como : Idade e queixas; Probabilidade de agravamento e outras circunstâncias particulares de cada doente; Gravidade da escoliose dada pela medida do ângulo de Cobb e, regra geral, considera-se: Menor 25 graus: tratamento postural para reforço muscular; 25-45 graus: uso de ortótese toracolombar; Maior 45 graus: cirurgia corretiva. Quando a escoliose não é importante, pode não haver problemas a longo prazo além de dores nas costas. Quando a escoliose é grave e não é tratada, pode dar origem a problemas respiratórios e cardíacos, além de intervir com o bem-estar físico e psicológico . Conheça a equipa clínica de ortopedia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.