Atualizado em 5 de julho de 2022 Uma tiroide com nódulos designa-se tecnicamente bócio nodular. Os nódulos da tiroide são mais frequentes no sexo feminino e a sua prevalência aumenta com a idade. Com recurso à ecografia é possível identificar nódulos na tiroide em mais de 50% das mulheres acima dos 50 anos. Como se caracterizam os nódulos da tiroide? Na tiroide podem desenvolver-se diversos tipos de nódulos , que podem ser classificados em: Benignos – os nódulos benignos podem ser quistos, nódulos hiperplásicos (coloides) e adenomas; Malignos – também designados por cancro ou carcinoma da tiroide. Um nódulo é maligno quando tem capacidade para invadir outras estruturas fora dos limites físicos da glândula. Estes nódulos são pouco frequentes , ocorrendo apenas 5% das pessoas com bócio nodular. O carcinoma da tiroide pode ter vários tipos, sendo o carcinoma papilar o mais comum. Este é, na generalidade dos casos, o menos agressivo. Quais são as causas dos nódulos da tiroide? Não existe uma causa única para o aparecimento de nódulos na tiroide. Entre os fatores que podem contribuir para o seu aparecimento, incluem-se: A carência de iodo; Alterações genéticas (que podem ser transmitidas entre gerações); A inflamação da tiroide; A exposição a radiações na infância. Que sintomas são provocados pelos nódulos da tiroide? A maioria dos nódulos da tiroide são assintomáticos, ou seja, não provocam sintomas e são identificados em exames de rotina, muitas vezes feitos por outros motivos (sendo por isso designados "incidentalomas") Os sintomas, quando presentes, podem ser devidos ao mau funcionamento da tiroide ou ao seu volume excessivo. Alguns nódulos produzem quantidades excessivas de hormonas, sendo designados tóxicos ou hiperfuncionantnes. estando assim associados a: Palpitações; Perda de peso; Tremores; Ansiedade; Intolerância ao calor. Só muito raramente estes nódulos são malignos. Os nódulos muito volumosos podem comprimir as estruturas vizinhas do pescoço, causando, por exemplo: Rouquidão; Dificuldade em respirar; Dificuldade em deglutir. Diagnóstico dos nódulos da tiroide A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelos médicos , em função das características e especificidades da situação de cada pessoa. Na generalidade dos casos, são realizados no diagnóstico dos nódulos da tiroide, 3 tipos de exames: 1 - Análises de sangue São determinados no sangue os níveis das hormonas da tiroide (tiroxina ou T4 e triiodotironina ou T3) e da hormona da hipófise que regula o funcionamento da tiroide (hormona estimulante da tiroide ou TSH). Quando um ou mais nódulos funcionam em excesso, pode surgir um hipertiroidismo . Este traduz-se por níveis de TSH inferiores ao normal e, eventualmente, níveis de T3 e/ou T4 aumentados. A realização destas análises não necessita de jejum. 2 - Ecografia do pescoço A ecografia do pescoço permite: Avaliar a dimensão dos nódulos; Identificar se são únicos ou múltiplos; Elucidar sobre risco de malignidade (embora não permita um diagnóstico definitivo); Avaliar os gânglios do pescoço. Trata-se de um exame de elevada precisão , relativamente económico, indolor e inócuo , já que não implica exposição a radiação. 3 - Citologia aspirativa com agulha fina (CAAF) O exame que permite uma maior aproximação ao diagnóstico final é a citologia aspirativa com agulha fina: Consiste na recolha de células do nódulo para análise ao microscópio; A colheita é efetuada através da punção do nódulo com uma agulha de calibre muito fino; É um procedimento, geralmente, pouco doloroso, muito rápido , semelhante a uma injeção através da qual, se aspiram as células necessárias ao diagnóstico Tem como objetivo principal identificar os nódulos malignos . No entanto: Por vezes, o número de células recolhido é insuficiente para fazer um diagnóstico. Assim, torna-se necessário equacionar a necessidade da repetição do exame; É possível que o diagnóstico não seja conclusivo , ou seja, que a citologia não permita afirmar com segurança se o nódulo é benigno ou maligno; em algumas destas situações, é mais seguro recorrer a cirurgia; Tal como acontece com a generalidade dos exames médicos, a fiabilidade da citologia não é total e m esmo os nódulos cuja citologia é benigna devem ser objeto de vigilância; Nem todos os nódulos devem ser sujeitos a citologia. Este exame não deve ser realizado em nódulos com menos de 1 cm/1,5 cm, sobretudo, se o risco de malignidade for baixo, de acordo com as suas características clínicas e ecográficas; Quando a tiroide tem múltiplos nódulos, a citologia deverá ser realizada nos considerados mais suspeitos. A citologia deve ser orientada por ecografia . Por isso, é muito importante que o médico que realiza este exame esteja familiarizado com a patologia da tiroide. Um diagnóstico de malignidade por este método, requer confirmação através da análise da totalidade do nódulo ao microscópio (exame histológico), após a cirurgia. Outros exames, como uma cintigrafia da tiroide ou uma tomografia computorizada (TAC) , só devem ser efetuados em situações pontuais. Porque é que os nódulos da tiroide devem ser avaliados? Os nódulos da tiroide devem ser objeto de avaliação médica , sobretudo, para: Investigar se a tiroide funciona de uma forma normal; Identificar a eventual existência de um tumor maligno. Nódulos da tiroide e carcinoma da tiroide: qual a relação? O diagnóstico de carcinoma da tiroide surge, quase sempre, na sequência da avaliação de um nódulo indolor da tiroide. Embora existam vários sinais e sintomas que podem levantar suspeitas quanto à malignidade de um nódulo , estes não são, de forma alguma, definitivos: Crescimento progressivo; Rouquidão; Dureza do nódulo; Presença de gânglios aumentados. Qual é o tratamento para os nódulos da tiroide? Na maioria dos casos, o tratamento com medicamentos é pouco eficaz na redução do volume dos nódulos da tiroide A cirurgia está indicada quando: O nódulo é maligno; Há suspeita de malignidade ou as citologias aspirativas não são conclusivas; Os nódulos, pelo seu volume, condicionam alterações respiratórias, da deglutição ou estéticas. O tratamento com Iodo-131 (iodo radioativo) deve ser equacionado quando o nódulo produz hormonas em excesso e após cirurgia tiroideia por tumor maligno (destruindo assim as células tumorais residuais após a cirurgia). As atividades de Iodo-131 administradas são diferentes nos nódulos benignos e no carcinoma da tiroide, pelo que, no primeiro caso não é necessário internamento. A endocrinologia e a cirurgia geral são as especialidades médicas que lidam com as doenças da tiroide. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.