20 de maio de 2019 A doença de Graves é uma doença autoimune, caracterizada pela produção de auto-anticorpos com ação estimuladora sobre a tiroide . Calcula-se que a sua prevalência seja de cerca de: 1 a 2% nas mulheres; 0,1 a 0,2% nos homens. O desenvolvimento da doença de Graves tem um risco acrescido: No período pós-parto; Nas fases da vida emocionalmente difíceis. O quadro clínico típico resulta da produção e secreção excessiva das hormonas tiroideias T3 e T4, situação designada por hipertiroidismo . O hipertiroidismo, na doença de Graves, é frequentemente acompanhado por um aumento difuso da glândula tiroideia, tecnicamente denominado bócio difuso . Sintomas do hipertiroidismo Tipicamente o hipertiroidismo traduz-se por: Perda de peso; Aumento da frequência cardíaca; Tremor; Intolerância ao calor; Diarreia; Ansiedade, resultado do estado de hiperatividade metabólica associado à doença. A médio/longo prazo, quando o controlo é insuficiente ou o diagnóstico é tardio, podem surgir: Alterações cardíacas graves; Fraqueza muscular incapacitante; Perda da massa óssea, com aumento do risco de fratura. Trata-se, por isso, de uma situação clínica que requer tratamento eficaz e especializado. Causas da orbitopatia na doença de Graves Além de hipertiroidismo e bócio difuso, cerca de 25% das pessoas com doença de graves apresentam sinais ou sintomas de orbitopatia . A orbitopatia da doença de Graves é consequência da inflamação dos tecidos moles intra-orbitários , de causa autoimune. A 1ª fase da doença, em que o processo inflamatório está muito ativo, é designada por fase ativa da orbitopatia. Em alguns casos, com o passar do tempo e consequente atenuação da inflamação, vão-se formando cicatrizes nos tecidos afetados , das quais resultam sequelas que tendem a ser crónicas. A probabilidade de ter orbitopatia e de esta evoluir negativamente, aumenta de forma significativa com o consumo de tabaco . Na maioria dos casos, ambas as órbitas estão afetadas e a orbitopatia é considerada ligeira . Nestas situações, dominam o quadro clínico: A retração da pálpebra superior; A sensação de corpo estranho ocular; A vermelhidão do olho; O inchaço das pálpebras; A protusão ligeira do globo ocular. Existem, no entanto, casos em que há um compromisso funcional importante, por exemplo com: Visão dupla: Perturbação da perceção da cor; Diminuição da acuidade visual, geralmente associado a protusão importante do globo ocular. É importante referir que a ausência de hipertiroidismo não impossibilita o desenvolvimento de orbitopatia . De facto, cerca de 15% destes doentes estão em eutiroidismo ou hipotirodismo, na altura do diagnóstico. Um esforço de várias especialidades A doença de Graves é uma patologia pouco frequente. É necessária uma avaliação clínica para identificar a fase e gravidade da doença, e para estabelecer o plano terapêutico adequado. Torna-se, assim, indispensável a intervenção de oftalmologistas especialmente dedicados à patologia da órbita. É hoje indiscutível que a evolução da orbitopatia da doença de Graves depende, de forma determinante: Do controlo atempado da função da tiroide; Da adequação das medidas terapêuticas desse controlo à situação oftalmológica de cada doente. É por isso de extrema importância que exista uma boa articulação entre os oftalmologistas e endocrinologistas que abordam esta patologia. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.