Os modelos recentes do Apple Watch têm uma funcionalidade que pode resultar no envio de uma notificação de possível hipertensão arterial ( hypertension notification feature ). Receber uma notificação destas não significa necessariamente que se tem hipertensão, mas é preciso saber interpretar este alerta e o que fazer em seguida . A notificação do Apple Watch significa que o relógio mediu a pressão arterial? Não. A funcionalidade não está relacionada com uma medição da pressão arterial e não são apresentados quaisquer valores. É uma ferramenta de triagem, isto é, analisa sinais do sensor óptico do pulso ao longo do tempo (usando a tecnologia de fotopletismografia) e se encontrar padrões compatíveis com elevada probabilidade de hipertensão arterial, envia uma notificação. Portanto, este sistema não faz um diagnóstico de hipertensão arterial . Então, como é que o relógio “chega lá”? O Apple Watch recolhe sinais por fotopletismografia no pulso durante o dia. Um algoritmo analisa esses sinais de forma passiva, em períodos de 30 dias. Se o padrão ultrapassar um determinado limiar pré-definido, o utilizador recebe um alerta. E o alerta do Apple Watch é fiável? Na questão da fiabilidade é importante distinguir dois conceitos: A sensibilidade , ou seja, a relação entre as pessoas que efetivamente têm hipertensão arterial e foram alertadas; A especificidade , ou seja, o facto de pessoas que não têm hipertensão arterial não serem alertadas. No estudo de validação clínica apresentado pela Apple, em que os resultados do Apple Watch foram comparados com medições realizadas no domicílio com um aparelho de braçadeira, o desempenho reportado foi, aproximadamente: Sensibilidade global ~41%, ou seja, o relógio alertou cerca de 4 em cada 10 pessoas que tinham hipertensão arterial. Num subgrupo de pessoas com hipertensão arterial mais grave, o valor da sensibilidade foi mais elevado; Especificidade global ~92%, ou seja, em 9 em cada 10 pessoas sem hipertensão arterial não receberam alerta. Assim: Receber um alerta não é sinónimo de diagnóstico de hipertensão, mas é um sinal suficientemente relevante para ser confirmado com um aparelho validado ; Não receber um alerta, não exclui hipertensão arterial , porque a sensibilidade não é elevada. Então o que fazer se receber uma notificação? Pense nela como um lembrete inteligente para fazer o que as guidelines já recomendam: confirmar a pressão arterial com métodos e medições fiáveis. Em termos práticos, as recomendações para medir a pressão arterial em casa , incluem: Usar um equipamento validado; Repousar alguns minutos antes de fazer a medição; Usar um aparelho com uma braçadeira de braço com tamanho adequado; Fazer medições repetidas (e não uma única medição); Eliminar o primeiro resultado, fazer a média dos seguintes e registar. Depois de ter os resultados das medições feitas em casa, deve aconselhar-lhe com o seu médico habitual . Perguntas frequentes Lembre-se que… A hipertensão arterial é um dos fatores de risco mais importantes para acidente vascular cerebral, enfarte agudo do miocárdio e insuficiência renal. Na maioria das pessoas a hipertensão arterial é silenciosa , não dando quaisquer sintomas durante muitos anos. Por esse motivo, a deteção precoce da pressão arterial elevada pode fazer toda a diferença na prevenção das complicações. Sintomas que possam estar relacionados com hipertensão arterial devem motivar a procura de cuidados médicos . Fontes K250507: Hypertension Notification Feature . 2025. Hypertension Notifications Validation Pape . 2025. Mancia G, Kreutz R, Brunström M, et al. 2023 ESH Guidelines for the management of arterial hypertension. J Hypertens 2023;41:1874-2071. Yang E, Schutte AE, Stergiou G, et al. Cuffless blood pressure measurement devices-international perspectives on accuracy and clinical use: a narrative review. JAMA Cardiol 2025;10:624-31. Autor : José Ferreira Santos (cardiologia) Conheça a equipa clínica de cardiologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.