A dor nas costas na zona lombar, ou lombalgia, não é uma doença, mas sim um sintoma que pode ter múltiplas causas. Quem pode ter dor lombar A lombalgia atinge uma parte considerável da população mundial. Estima-se que cerca de 90% das pessoas sintam dor lombar pelo menos uma vez durante a sua vida. Em 2020, aproximadamente 1 em cada 13 pessoas, a nível global, sentiram dor lombar, o que, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, correspondeu a um aumento de 60% relativamente a 1990. Sabe-se que a dor lombar é mais prevalente nas mulheres e nas pessoas de idades mais avançadas. Contudo, independentemente do género e da faixa etária, atualmente a lombalgia é considerada uma das principais causas de incapacidade. Interfere com a vida profissional, social e familiar daqueles que são afetados. Como se classifica a lombalgia A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a lombalgia em três tipos, tendo em conta a sua duração: Aguda, com uma duração inferior a 6 semanas; Subaguda, quando dura 6 a 12 semanas; Crónica, a que dura mais de 12 semanas. Quando às causas, a lombalgia pode ser: Primária; Secundária. Lombalgia primária ou de causa inespecífica Esta é a forma mais comum de apresentação da dor lombar. Corresponde a 80%-90% dos casos observados nas instituições de saúde. Sabe-se que o seu desenvolvimento está associado a uma combinação de fatores biológicos, físicos, psicológicos e sociais, tais como disfunção articular, assimetria muscular, sensibilização neuronal, stress e polimorfismos genéticos. Lombalgia secundária ou consequente a um processo patológico subjacente Entre os problemas patológicos subjacentes a uma lombalgia estão, por exemplo, uma fratura vertebral, uma hérnia discal, uma infeção, uma pedra no rim, um tumor, e muitas outras. As hérnias discais lombares representam uma fatia importante deste grupo. Os discos intervertebrais são estruturas anatómicas localizadas entre as vértebras, que amortecem e absorvem o choque inerente às nossas atividades de vida diária. A continua degeneração e sobrecarga destas estruturas resulta na exteriorização do seu núcleo interno formando uma hérnia; A protusão ou hérnia, pode chegar a comprimir nervos com origem na medula espinhal dando origem a dor lombar que pode irradiar para o membro inferior; Os meios complementares de diagnóstico disponíveis atualmente, como a ressonância magnética, permitem diagnosticar de uma forma rápida e precisa as hérnias discais, possibilitando assim desenvolver planos de tratamento personalizados e garantir uma abordagem diferenciada do problema de cada pessoa. Procure cuidados médicos Seja qual for o tipo ou causa de lombalgia, o exame físico e neurológico realizado por um médico é essencial para chegar ao diagnóstico. Uma lombalgia não tem sempre as mesmas características. O mais comum é haver: Rigidez lombar, ou seja, uma sensação de aperto ou falta de flexibilidade na região lombar Espasmos musculares, que são contrações involuntárias dos músculos da região lombar, associadas a desconforto intenso; Dor irradiada, quando o desconforto se estende além da região lombar, por exemplo para as ancas, nádegas ou pernas. Há também alguns sinais de alerta aos quais é preciso estar atento, já que podem traduzir problemas mais graves e complexos. Assim, não deixe de procurar cuidados médicos quando tem dor lombar e: A dor é persistente; Tem antecedentes de neoplasia (cancro); Houve um traumatismo recente; Toma corticoides de forma prolongada; Tem idade jovem, por exemplo uma criança, adolescente ou adulto jovem; A dor é principalmente durante noite; Tem febre ou perda de peso. Reconhecer estes sinais de alerta é crucial, pois podem ser indicativos de problemas mais graves que precisam de uma intervenção médica rápida. Autor: João Pinheiro Conheça a equipa clínica de Neurocirurgia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.