O jejum intermitente é uma dieta que se tem mantido bastante em voga nos últimos anos. Consiste em alternar períodos de jejum (ou abstinência alimentar) com períodos em que se fazem refeições. O jejum intermitente pode ter várias modalidades ou planos, mas todos se baseiam em escolher e manter a regularidade de períodos alternados de jejum e de alimentação. As modalidades mais habituais são: Jejum por intervalos de tempo , em que, num mesmo dia, há um período de jejum e um período de alimentação. Naturalmente, há vários regimes possíveis, os mais comuns são de 16, 14 ou 12 horas seguidas de jejum, a que correspondem 8, 10 ou 12 horas do dia em que se podem ingerir alimentos. Regimes diários modificados , em que em 2 dias da semana se faz restrição alimentar, por exemplo de 85% do aporte energético normal, e nos outros 5 dias a alimentação é normal; Jejum total em dias alternados , ou seja, em que dia sim, dia não, se mantém jejum ao longo de todo o dia; Jejum periódico , em que faz um jejum completo 1 ou 2 dias por semana e nos outros dias a alimentação é a normal. A modalidade de jejum intermitente mais utilizada é o j ejum por intervalos de tempo. É a mais simples de aplicar no dia a dia. O jejum intermitente tem vantagens relativamente a outras dietas? Nas consultas de nutrição o jejum intermitente é bastante procurado como estratégia para perda ponderal. No entanto, as mesmas dietas não têm os mesmos efeitos em pessoas diferentes. Os defensores do jejum intermitente salientam como vantagens não só a perda de peso, mas também outros benefícios para a saúde. Efetivamente vários estudos apontam para benefícios associados à prática de jejum intermitente. Além da perda de peso e massa gorda, é referida, por exemplo, a regulação dos níveis de colesterol e triglicéridos, redução da pressão arterial, melhoria do controlo da glicemia, efeito anti-inflamatório e até aumento da longevidade . Há também desvantagens descritas, como alterações do humor, irritabilidade, desidratação e desequilíbrios hidro-eletrolíticos, além da dificuldade de manutenção do regime ao longo do tempo, com muitas pessoas a adotar o jejum intermitente durante alguns meses, mas depois a desistir. Para tirar benefícios do jejum intermitente é imprescindível manter uma boa hidratação e cumprir mais algumas regras. Água, chá e café sem açúcar são permitidos durante o jejum. Fora dos períodos de jejum há que evitar excessos e manter uma alimentação saudável rica em hidratos de carbono complexos, proteína, fibra, vitaminas e minerais, para evitar carências nutricionais. A prática de atividade física tem de ser planeada e feita nas alturas corretas em relação aos períodos de jejum e alimentação. O jejum intermitente não parece ter riscos para a saúde, mas é conhecido que a resistência ao jejum não é igual em todas as pessoas e é preciso ter em atenção sinais de alerta. Além disso, o jejum intermitente não é aconselhado em crianças, grávidas, mulheres a tentar engravidar ou a amamentar, doentes diabéticos que façam crises hipoglicémicas com facilidade, pessoas com perturbações alimentares, entre outros problemas de saúde. Não há ainda um consenso na comunidade científica sobre o jejum intermitente e as suas vantagens em relação a outros métodos para perda ponderal, por exemplo os regimes baseados na dieta mediterrânica, são ainda questionáveis. Lembre-se sempre Iniciar dietas muito restritivas sem aconselhamento e apoio de nutricionistas não é uma boa prática porque estes profissionais têm um papel muito importante. Em conjunto com quem os procura estabelecem objetivos realistas , avaliam as particularidades de cada pessoa, consideram problemas de saúde que eventualmente estejam presentes e aconselham sobre as dietas mais adequadas . Na realidade, o mais importante e eficaz é que cada pessoa faça a dieta que melhor efeito tenha para si e com a qual se sinta bem. Autora : Tatiana L. Gonçalves Conheça a equipa clínica de nutrição da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.