Isabel Vaz apresenta experiência do Hospital da Luz em conferência sobre ‘value based healthcare’

A CEO da Luz Saúde, Isabel Vaz, e Filipe Costa, gestor da oncologia do Hospital da Luz, foram oradores na segunda edição da conferência ‘Investir em Saúde - Obter Resultados’, que se realizou no Centro Cultural de Belém, a 29 de novembro. A iniciativa, que teve como tema central o conceito de organização de cuidados de saúde baseada em valor (value based healthcare), foi promovida pelo Jornal de Negócios e pela Janssen, com o apoio da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

O grupo Luz Saúde foi o único prestador privado a participar na conferência, tendo Isabel Vaz e Filipe Costa apresentado o projeto Hércules, que está a ser implementado na rede Hospital da Luz e que assenta na aplicação daquele conceito.

Isabel Vaz – que participou na mesa-redonda ‘O Value Based Healthcare posto em prática’ – considerou que este novo modelo de organização clínica ainda gera receio: «Temos medo, primeiro, porque se muda. O setor da saúde é um sistema tão complexo que, quando se mexe numa variável, nunca se sabe o que acontece a todas as outras variáveis. Por isso, é natural que os movimentos de mudança não se deem com a rapidez com que se gostaria». 

A CEO da Luz Saúde defendeu ainda que o futuro passa pelos sistemas de inteligência artificial (IA) e a respetiva capacidade analítica de grandes volumes de informação. E, ao contrário dos que consideram que os domínios da cirurgia serão aqueles onde a tecnologia terá mais impacto, defendeu que «a Medicina Interna e a Medicina Geral e Familiar serão as especialidades mais tecnológicas».

Coube a Filipe Costa apresentar a ‘Implementação do Value Based Healthcare no Centro de Oncologia do Hospital da Luz’ – que designou como «um hub estratégico na área da oncologia na região sul» do país. Segundo este responsável, é necessário passar do modelo tradicional da especialidade e do serviço para o modelo da equipa multidisciplinar e orientada no sentido da linha de patologia. «É fundamental», também, «uma estratégia centralizada nos doentes e uma avaliação centrada na experiência do cliente», que fazem com que se possa ter uma estratégia da saúde baseada em resultados. 

«Com os médicos ao leme deste barco e com uma grande equipa multidisciplinar que envolve médicos, enfermeiros e engenheiros, desenhamos um ciclo de valor que diminuiu o impacto de erro», defendeu Filipe Costa, desafiando gestores e médicos a fazerem sempre a pergunta certa neste domínio: quanto custa um mau tratamento?

Foram também oradores nesta conferência gestores como Filipa Mota e Costa (diretora-geral da Janssen), João Almeida Lopes (presidente da Apifarma), Rafael Bengoa (co-diretor do Institute for Health & Strategy de Espanha), Marta Temido (ex-presidente da Administração Central do Sistema de Saúde), Alexandre Lourenço, presidente da APAH, António Ferreira (ex-diretor clínico e ex-presidente do Centro Hospitalar de São João, no Porto) e Francisco Rocha Gonçalves (do conselho executivo do IPO Porto).