Médico do Hospital da Luz Setúbal publica artigo no British Medical Journal

Jorge Mercier, médico especialista em Medicina Interna e coordenador do Atendimento Médico Permanente do Hospital da Luz Setúbal, é um dos autores de um artigo publicado no passado dia 5 de janeiro pelo British Medical Journal, sobre um caso raro de doença respiratória (pneumotórax bilateral espontâneo secundário).

O pneumotórax é uma situação clínica grave, geralmente de instalação súbita, que é causado pela passagem de ar dos pulmões para o espaço pleural (entre os pulmões e a caixa torácica e que habitualmente é uma cavidade virtual). Quando isto ocorre, o pulmão colapsa (fica pequeno e sem capacidade para se expandir), o que desencadeia uma dificuldade respiratória acentuada e dor torácica tipo pontada. Geralmente, afeta apenas um dos pulmões e é mais frequente em fumadores (pneumotórax espontâneo) ou após traumatismo torácico.

No caso analisado neste artigo, o doente – de 40 anos e grande fumador (40 cigarros por dia ao longo de mais de 20 anos) – deu entrada no serviço de urgência com queixas de falta de ar associadas a dor torácica aguda. Através da avaliação clínica e dos exames efetuados, constatou-se a presença de pneumotórax a afetar simultaneamente os dois pulmões.

Do estudo complementar em internamento, concluiu-se que os dois fatores que contribuíram para a situação foram os hábitos tabágicos (pulmões com bolhas de enfisema) e o défice de uma proteína (alfa 1 – antitripsina) que predispõe a esta doença.

O artigo agora publicado pelo British Medical Journal – intitulado ‘Bilateral secondary spontaneous pneumothorax’ – descreve a forma de apresentação, os exames que permitiram chegar ao diagnóstico e à descoberta da causa desta situação rara, bem como os tratamentos efetuados. Reforça ainda a importância de cessação de hábitos tabágicos. Tem como autores, além do médico especialista do Hospital da Luz Setúbal, os médicos Diana Pedreira (Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar de Setúbal), Rita Silvério e Hugo Casimiro (do mesmo centro hospitalar e do Instituto de Histologia e Biologia do Desenvolvimento da Faculdade de Medicina de Lisboa).

Leia o artigo publicado